Na data de 07 de Fevereiro de 2018 fomos recebidos pelo Historiador  Eduardo Vieira (Assessor de Projetos da Secretaria de Educação e Cultura de Itaguaí). Na pauta, a exploração de terreno aonde existira uma antiga e estratégica fortificação militar que foi dada como desaparecida já em 1885 quando os fortes foram vistoriados pelos militares a mando de D Pedro II .
Na ocasião, a equipe do IPHARJ e da Prefeitura de ITAGUAÍ verificou o que sobrou do local aonde existiu um dia o FORTE DE ITAGUAÍ, ou o Forte de Coroa Grande. No local, alem de parte da fortaleza em taipa, verificamos quantidade expressiva de restos de conchas e novamente cerâmica indígena. Quase tudo foi destruído pela ocupação de casas, mas uma parte da muralha permaneceu esquecida.

 

O Forte de Coroa Grande está localizado no caminho por terra que ía da povoação de Mangaratiba para a de Itaguaí. Compunha-se de uma tenalha com duas baterias a cavaleiro, artilhada com seis peças, batendo aquele trecho do caminho pela costa, a praia e o seu ancoradouro. Aníbal Barreto (1958) apresenta 1822 como data de início de construção deste forte . Outros autores referem esta estrutura como Fortaleza do Raio, apontando-lhe a data de construção como 1818, com base em uma planta de autoria desconhecida ( hoje no arquivo militar de Portugal), e ainda como Forte de Itaguaí. Não podemos descartar a possibilidade de ter existido uma Guarda no Local bem mais antiga e datando do seculo XVII como nossas pesquisas indicam atualmente.

A maior parte das fortificações costeiras, certamente de faxina e taipa, revestidas de grama, como as demais fortificações na região erguidas no período, encontravam-se totalmente arruinadas ja em 1885 e ao longo do seculo XX praticamente desapareceram por saque de seu material construtivo. Parte dessa pesquisa foi levada ao arquiteto Andre Cavaco do INEPAC que aproximou o IPHARJ da PREFEITURA DE ITAGUAÍ e estamos desenvolvendo uma parceria. Agradecemos também ao Conselheiro Roberto Anderson do INEPAC que nos aproximou do Arquiteto Andre Cavaco e toda essa malha de relações vem revelar o envolvimento de todos os profissionais no Conhecimento e preservação da herança mais preciosa que o Passado nos legou : nosso Patrimônio !

   

No mês de Janeiro, além do Forte de Itaguaí, identificamos o local de duas baterias e uma guarda no mesmo município. Cabe lembrar que desde 2011 temos feito uma pesquisa criteriosa e desde 2014 estamos localizando os restos arqueológicos de locais relacionados as construções militares antigas, Nessa linha , estamos elaborando um projeto abrangente a ser ancaminhado ao IPHAN para futura pesquisa arqueológica desses locais  e nesse levantamento preliminar já identificamos fortes e baterias militares que eram dadas como perdidas e outras construções históricas na Cidade e no Estado do Rio de Janeiro.

Em alguns casos descobrimos os locais por iniciativa e pesquisa própria e outras vezes somos levados por amigos, pesquisadores que ja haviam identificado a jazida arqueológica e careciam do reconhecimento e registro do sítio, como foi o caso agora de Itaguaí.
Dessa forma, comunicamos em tom de celebração o encaminhamento do registro da jazida arqueológica sob o numero IPHAN 01500.000590/2018-30.

   

Este é mais um item dentro de um conjunto de NOVE estruturas militares Coloniais e Imperiais de descobrimos ou reconhecemos ao longo dos últimos anos .
Essas descobertas fazem parte de um futuro Projeto Institucional que visa expor as Fortalezas Perdidas do Rio de Janeiro e que alem de livro, terá um filme de 57 minutos .

Agradecemos a todos os parceiros e amigos que fazem parte dessa historia e fica aqui nosso compromisso de buscar mais e mais desse Passado rico e fascinante que essa Cidade tem sempre a nos revelar .
Missão cumprida mais uma vez !