Em 2007-8 a antiga Igreja da Sé se viu revolvida por vários profissionais. De um lado, arquitetos reviravam todos os segmentos da Igreja sendo auxiliados por hordas de profissionais. A frente da empreitada estava a Fundação Roberto Marinho que orquestrava as ações de todos, com recursos da Prefeitura do Rio na BELA Administração do Cesar Maia. A pasta da Arqueologia ficou com o IAB que em pouco tempo teve que pesquisar cada centímetro do solo e dessa forma varias descobertas fantásticas foram feitas na época. Hoje o tema é foco de pesquisa da Arqueóloga Jandira Neto no Doutorado na UFRJ. O propósito de todo esse trabalho era promover a Restauração do edifício para as comemoração dos 200 anos da chegada da Corte Portuguesa e D João VI no Brasil .

No ano de 2015 surgiu nas livrarias um inusitado livro escrito por um talentoso Jornalista Investigativo Rafael de Freitas que de forma brilhante escreveu o RIO ANTES DO RIO .

  

Dessa forma , o tempo passou e muitas pesquisas começaram a serem aprofundadas . Do outro lado da cidade , na região da Leopoldina e São Cristovao outras pesquisas vieram a ser feitas…

Cotejando fontes, somando-se a observação dos vestígios arqueológicos e o decorrente entrosamento dos pesquisadores a reconstituição do Passado do Rio de Janeiro caminha a cada dia mais para o futuro e a partir da integração desses resultados, prevejo dias auspiciosos para o maior Conhecimento do processo de ocupação de nossa Cidade que já sabemos que tem tido uma ocupação humana pelo menos há QUATRO MIL ANOS.

  

Em especial , hoje vamos mostrar um pouquinho da Aldeia GÛYRAGÛASU’UNAÊ , que um dia se assentava sobre as terras da Praça XV , no Centro do Rio .

O local foi ocupado por uma das mais antigas aldeias Tupinambás que existiu na região do atual centro do Rio de Janeiro, em posição privilegiada, com recursos alimentares abundantes e uma paisagem extraordinária.

Pelas pesquisas do Rafael Freitas -que tem contribuído exemplarmente para os estudos da Arqueologia e da Historia – o seu nome se referia ao nome de um possivel Lider que fazia referencia ao nome de um pássaro comum na região que inspirava os indígenas pela sua imponência, o Carcará Preto, que tinha uma envergadura de ate mais de um metro de largura e suas poderosas garras faziam parte do instrumental dos Chefes e Pajés Indígenas para rituais e para cerimônias importantes. De fato, éo nome é Tupi. : gûyra /ûyra significa passado de forma geral . gûasu /ûasu e sufixo “grande” , una significa “preto, negro” e aê/ ahê é pronome pessoal que significa “ele, aquele”. O pássaro, desapareceu depois do Descobrimento e aparentemente a tribo acabou migrando para o subúrbio de Vaz Lobo.

 

Nas escavações arqueológicas da Sé, o IAB encontrou acerca de 1.60 de profundidade uma paliçada que era um tipo de estrutura militar defensiva que era construída nas aldeias indígenas , mas que nesse caso deve datar da época do descobrimento . Tambem foi encontrado no pequeno segmento que foi permitido escavar, uma fogueira com fragmentos de cerâmica e ossos e uma lamina de machado polida, o que comprova a ocupação indígena daquele segmento do terreno .

Com a chegada dos Franceses e depois Portugueses, esse tipo de estrutura continuou em uso, diferindo apenas em algumas técnicas construtivas e a taipa de pilão passou a preponderar nas construções da época.

  

A próxima postagem será sobre a Aldeia Jabebiracica, que ficava nas proximidades do terreno da Leopoldina e quem em 2013 fizemos uma escavação arqueológica e encontramos remanescentes de um Sambaqui, bem como cerâmicas indígenas e de Contato .

A tribo que havia ocupado a região foi a dos Índios Jabebiracica , que foram expulsos por ocasião da expulsão dos Franceses e dos Tupinambás da Baia de Guanabara, mas chefiados pelos Índios Temiminós, de Araribóia , o local foi densamente ocupado por orientação dos Jesuítas em especial Jose de Anchieta . Araribóia permaneceu em são Cristóvão ate ser levado definitivamente para São Lourenço dos Indios, em Niterói .

  

Mas… o que é taipa de pilão ?

Taipa de pilão é uma técnica para a construção de paredes utilizando matérias-primas cruas, como terra, giz, cal ou cascalho. Uma parede de taipa de pilão é construída colocando solo úmido em uma fôrma temporária. O solo é compactado manual ou mecanicamente e, em seguida, a fôrma é removida. Taipa de pilão é feita geralmente sem muita água, e portanto, não precisa de muito tempo para secar conforme o edifício cresça. É suscetível à umidade, e por isso deve ser colocado sobre uma base que pare a umidade ascendente, e deve ter telhas ou alguma outra cobertura que impeça que água de cima infiltre-se. Pode ser necessária também alguma proteção através de algum tipo de gesso, tinta, ou casca.
No Brasil, os primeiros registros de taipa de pilão foram na época do Brasil Colônia, onde foi introduzida pelos portugueses e contou com a contribuição dos escravos africanos. Muitos autores indicam como a obra mais duradoura a casa forte de taipa de pilão construída por Caramuru na Bahia, em 1540. Aplicada também em construções religiosas, em 1554, foi construído o Colégio dos Jesuítas da Companhia de Jesus, o que ocasionou a construção das primeiras casas de taipa ao seu redor e depois a origem do povoado de São Paulo de Piratininga, hoje a atual cidade de São Paulo.
Essa técnica foi introduzida no território brasileiro devido a sua boa resistência ao tempo e por ser menos trabalhosa do que a alvenaria de pedra. Ela possibilitou construções coloniais em regiões que tinham dificuldade em obtenção de pedras. Na região paulista a taipa de pilão foi muito utilizada no Planalto de Piratininga e no Caminhos dos Bandeirantes até Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio de Janeiro.

  

Aguardem mais noticias na sequencia !